quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não, você não pode falar o quer quer! Ou será que pode?


Acerca de toda polêmica em torno do apresentador e comediante Rafinha Bastos em razão de seu comentário sobre a cantora Wanessa Camargo http://www.youtube.com/watch?v=_iRScEQU9p0, meu senso filosófico vem refletir sobre o que podemos ou não podemos falar.

Inicio discutindo sobre a premissa do devemos ou não, pois poder, é certo que podemos, nos foi dado o direito e tudo que não sai pela boca, fica na cabeça, oficina de coisas que nem o pobre do diabo poderia supor!

Rafinha respondeu que "faz piadas de mal gosto sim, pois é livre e a constituição lhe deu esse direito", ainda, segundo ele, "cabe à cada cidadão concordar ou discordar de suas opiniões" dentro também da liberdade que nos "é oferecida", aí não mais obrigatoriamente pelo estado, mas pelos conceitos que desde muito cedo são formadores de nosso caráter vindos de nossos pais e de todo ambiente externo que nos circunda.

Liberdade temos, raciocínio temos, mas diante de tantas possibilidades, o que fazer com eles?

Devemos sair despejando nossas opiniões, conceitos, piadas (...Sim, minha amiga, contar piada exige profundas técnicas. Poucos têm o dom. Poucos percebem o tom certo. O momento exato, o local adequado para a piada. O bom contador de piadas é um artista. Fico fã, fascinado... http://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/os_contadores_de_piada.htm) sobre tudo e todos? E o direito do outro de não querer saber ou ouvir que não é assegurado pelo estado e sim por seus ouvidos e pela sorte (ou azar) de estar no lugar errado na hora errada (ou no canal errado no programa errado)?

Minha medida sempre foi a de não ultrapassar a medida alheia e acho que mais do que tudo, isso caracteriza a boa educação.

Será que a questão então é essa, educação?

Bem, senhores, falemos ou não falemos o que queremos a verdade é que na mesma medida em que somos livres para tal, somos responsáveis pelo que proferimos. Pode não parecer muito, mas no caso de nosso amigo Rafinha, seu ímpeto foi "castigado" com sua suspensão na emissora e agora por seu pedido de demissão da mesma.

Rafinha, dantes por cima da carne seca vai ter que se contentar em comer por enquanto carne não *kosher e putrefeita! (cale te boca, garota!!!)


*Produtos Kosher ou alimentos kosher, são todos aqueles que obedecem à lei judaica.A carne bovina judaica passa por um processo de retirada do sangue onde as peças (quartos dianteiros) são imergidas em água gelada e depois ela é salgada com sal grosso e após isso e imergida novamente em água gelada para retirar totalmente o excesso e sangue.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Esmaltes coloridos


Sou facilmente hipnotizada por cores. Amo o preto, amo o branco, mas qualquer cor mais vibrante me ganha muito mais facilmente.

No entanto sempre fui uma garota tímida. Tímida e insegura comigo mesma.

O que uma coisa tem a ver com a outra?

Me lembro de ter uns cinco anos e estar na beira de uma piscina no Iate clube de Itanhaém (não, eu não tenho um iate!), olhar para meus pés e pensar, putz, meu pé é muito feio, e pensar em escondê-lo, em um clube, por achar que todo mundo lá estava reparando no pé que eu achava feio.
Daí por diante sismei e pronto a ponto, de na adolescência, não usar de maneira alguma sandálias. Eu havia encafifado que jamais sujeitaria as pessoas a olhar para meus pés horrendos e que portanto NUNCA iria usar sandálias na minha vida.
Depois dos vinte anos comecei bem aos poucos a deixar meus dedos do pé de fora, mas foi quando conheci meu amado namorado que passeii a olhar para meus pés, e posso dizer que para mim mesma, de uma forma diferente.
Quando comecei a fazer as unhas não podia nem pensar em passar esmaltes coloridos, porque a insegurança era tanta que tinha medo de chamar atenção para o que comprovadamente só eu acreditava ser feio.

Ahhh, mas o bom da vida é que a gente pode mudar e as cores, que se misturam e mudam, formando novas cores ou voltando a ser primárias, me ajudaram a mudar. Como poderia eu viver uma vida inteiramente "*renda"????

Não pude!

Nessa fase abençoada de esmaltes coloridos, fui aos poucos experimentando cada uma dessas cores vivas que me inebriam. Comecei com os vermelhos, depois pinkes opacos, vibrantes, gritantes de todos os tipos e daí vieram os alaranjados, verdes, azuis e até os darks, e o ponto máximo de minha evolução foi quando me permiti o 'impermicível'... contra todas e todos os meus pensamentos de baixo-estima e insegurança mandei um colorido nos pés!!!!!!

Amo as cores, as cores me inebriam...

Esta semana recebi uma cartinha de uma aluna minha de oito anos que dizia: Teacher, você é melhor professora do mundo. Você é legal, muito engraçada, um pouco brava e muito muito colorida, adoro aprender English com você".

Eu sou colorida, cara!!! Quer elogio maior?????

Cabem ainda algumas reflexões: 1 - "prefiro ser uma metamorfose ambulante" do que não me dar a chance, nesta vida que pode ser única, de experimentar. 2 - Já diria mamã, quem não gostar que não olhe!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ponto de vista: ponto cego

Dia!

Tá enxergando bem hoje ou está cego por seu ponto de vista? Porque o ponto de vista, aquele pelo qual lutamos por e defendemos com unhas e dentes é certo que é cego!

É exatamente como quando olhamos para aquele exato ponto no espelho retrovisor do carro e não enxergamos um outro veículo vindo e é por uma fração de segundos que não provocamos um belo de um acidente.

As diversas situações as quais somos expostos em nossas vidas são exatamente desta forma, com a diferença de que realmente chegamos a bater, e de frente, com nossos próximos para que tenhamos razão e nosso ponto de vista "prevaleça".

Quanto vale a pena?

Refletir, repensar, colocar-se no lugar do outro é deveras importante e talvez como diria Raul, ser uma "metamorfose ambulante", no final, seja uma solução menos dolorosa... mas.... realmente não sei....
Estou cega por meu ponto de vista!!!!!!!!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Metrô

Tive a oportunidade de há poucos dias visitar minha cidade natal de uma maneira meio que 'relâmpaga', mas do tamanho exato para alimentar minha imaginação e claro, minha nostalgia.
Em menos de vinte e quatro horas fui e voltei, mas a meia hora que passei sobre os trilhos do metrô de Sampa foram suficientes para que as boas lembranças pudessem voltar.
Percebi que os trens estão mais modernos e que agora eles têm várias televisõeszinhas por vagão. O engraçado é que os motoristas ainda cantam a próxima estação e com ou sem modernidade, ainda é praticamente impossível de se entender o que eles falam (rs), portanto, fique atento ao mapa!
As portas também estão diferentes. Não há mais aquele borrachão em que eu, minha irmã com sete anos na época e tantos outros manos andávamos com as mão enfiadas, com os dedinhos pra fora um tanto quanto irresponsavelmente.
Não há mais também, claro que há algum tempo mas só agora pude constatar, os detentos do Carandiru porque não existe mais Carandiru, a estação sim, mas não a prisão e tampouco os detentos que ficavam com os braços e pernas pra fora das janelas gradeadas em quadradinhos. Todo dia, na mesma hora, eu e minha irmã acenávamos para eles e eles nos acenavam de volta.
Ah a linha um... Pra quem não sabe, a linha um é a que agora leva do Tucuruvi (meu bairro) ao Jabaquara... esses trens viram tantas de minhas mudanças...
Ela me viu com onze anos, pré adolescente, apaixonada por mil garotos, de mexa loira nos cabelos e batom vermelho, levando minha irmã pentelha e hoje tão saudosa, todos os dias em meio à poluição e aos travestis e cortiços da estação Armênia...
Ela me viu bicho-grilo, de boné, de calça de moletom cortada, louca para ser livre, descobrindo a poesia, buscando meu futuro, indo todos os dias pro meu cursinho na estação São Joaquim.
Ela me viu agora, mãe de um garoto de doze anos que não saberia andar sozinho de metrô, dona de minha vida, de meus interesses e de tantos interesses diferentes daqueles de quando eu dizia tchauzinho pros detentos, ou mesmo entrava no trem com um saquinho de salgadinho Piraquê! De cabelos curtos, atrás de meu visto para os States em uma ida ansiosa e uma volta feliz da vida com ele a caminho, orgulhosa de mais uma conquista.
Sempre foi assim, sempre é assim...
Nem sempre quem vai sobre os trilhos, é a mesma que volta.
Ah... o metrô e as linhas de nossas vidas...

domingo, 12 de junho de 2011

A mulher que virou pedra

'Como uma semente de flor a mulher foi posta no solo desse planeta por seus pais e floresceu em um jardim sujeito às forças da natureza assim como todos os jardins. Seus pais, jardineiros prestimosos, por já haverem perdido outras flores para o tempo, cuidaram da mulher com todo o zelo e dispuseram de toda proteção que existia. O jardim era lindo, cheio de pássaros e abelhas, o sol era amigo e a chuva refrescante, mas certas épocas, tudo mudava e esse foi o motivo pelo qual seus pais resolveram colocá-la em uma arredoma de vidro.

A mulher casou e teve filhos, mas um dos jardineiros morreu. A proteção que lhe era dada já não era a mesma e a mulher começou a ser exposta ao sol, ao vento e aos caprichos do tempo. A jardineira que restara, percebendo que tanta proteção havia feito ao invés de bem, mal à mulher, tentou ainda ajudá-la a lidar com as forças da natureza, mas era tarde demais e logo depois, a jardineira também morreu.

A flor agora estava totalmente exposta às forças do vento, da chuva, da seca, das noites frias; a mulher se separou, atrasou as contas, ficou só e teve lidar sozinha com seus filhos, com a busca pelo amor, com o sustento da família, com a vida, com o tempo.

Sem ter aprendido a lidar com cada uma dessas coisas pelo excesso de zelo de seus pais, a mulher foi ficando cada vez com mais medo e se escondeu o máximo que pode da chuva e do frio em um canto escuro e aparentemente protegido.

A mulher não saía de lá pra nada e mesmo assim foi encontrada por uma tempestade que a deixou ainda mais amedrontada e a fez esconder-se ainda mais na sombra escura, onde nem as água da chuva pudessem banhá-la mais.

De tanto medo a flor não mais saía do escuro e sua raízes foram se aprofundando no solo. Não mais sorria a flor com as vinda dos pássaros, porque eles não gostavam se sua cor escurecida pela sombra. Nem sequer se alimentava direito a flor, se contentava com o insumo escuro que conseguia nas sombras. Não mais se mexia a flor, mexer-se poderia chamar a atenção do desconhecido e o desconhecido a matava de medo.

O pó começou a cobrí-la, o musgo começou a brotar em si. O que restava de seu próprio jardim foi totalmente esquecido, sua aparência fora totalmente esquecida.

Totalmente engessada no medo da dor, ela pouco a pouco, dia-a-dia, passo-a-passo foi parando, parando, parando... até que parou de vez, a mulher, antes flor, virou pedra.'

É isso, amigos. Cada passo que damos ou não para a entrega para o tempo ou para a liberdade, é todo de nossa e somente nossa total responsabilidade.





domingo, 29 de maio de 2011

Religiosidade infantil

Me lembro como se fosse hoje de um tipo de cartão que recebi da escola com uma imagem que acredito ser de Nossa Senhora. Pintei aquela imagem com meus lápis de cor e lá dentro, sem ser a pedido de ninguém, escrevi o Pai Nosso.

Enquanto não havia decorado a oração, abria todas as noites aquele cartãozinho e rezava, às vezes ajoelhada do lado da cama, a oração que estava lá dentro.

Minha mãe, minha avó materna e meu pai, naquela época, eram todos espíritas, mas nunca carolas. Sequer me ensinaram a rezar e muito menos me obrigaram.

Até minha adolescência, morando ainda em Sampa, voltava da escola e fazia questão de fazer o sinal da cruz na frente de uma capelinha que se localizava na avenida Guapira. Tudo de fundo católico.


Sempre rezei, orai, pedi, agradeci, implorei e até a um tempo atrás prestava serviço voluntário em um Centro Espírita aqui perto de casa com intenção de fazer algo que fosse tipicamente em prol do outro e por crer que devia algo a Alguém.

Hoje em dia minhas concepções são bem diferentes, mas não é isto que pretendo como foco aqui.

Observo em meu filho a mesma devoção para com a religião e para com a crença em algo maior e desconhecido por nós.

Eu ainda o ensinei a rezar e tinha legitimamente uma religião e a praticava em sua infância, além disso seus parentes por parte de pai também são muito voltados a práticas religiosas, mas e eu? Por que será e de onde veio a tal necessidade de rezar, orar, agradecer e temer, ein?! Por que será que é tão difícil sentir-nos donos de nossas vidas e totais responsáveis por nossas atitudes boas ou ruins?

Poderia dissertar horas aqui sobre minhas atuais teorias, mas como não quero que minhas verdades sejam obrigatoriamente as de ninguém, deixo a você, leitor amigo, a possibilidade de reflexão sobre o tema religiosidade e sobre este catolicismo incrustado.

Beijo me liga!


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Normal

"Nathalie, as pessoas são loucas."

Parece uma frase corriqueira e daquelas que falamos por falar, no entanto ela chegou de uma pessoa na qual confio demais na opinião para deixá-la passar despercebida, sem reflexão. Quando passei a pensar seu real sentido, muitas coisas se encaixaram em minha vida e essa epifania do cotidiano tem me poupado de muitos sofrimentos.

Afinal, o que é normal?

Normal pra quem? Normal pra que? Sob qual ponto de vista? E qual é a base de comparação?

Pois é, amigos... o que é e quem é normal????