quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Estou precisando de....


Sempre me pego, e aos meus iguais, desejando coisas imprescindíveis a minha vida neste planeta, como as pulserinhas de strass da moda, um sapato da nova coleção de minha marca favorita, uma nova calça legging... entre tantas outras coisas materiais. 

Nestas necessidades vitais cabem também um corpo mais magro e sarado, um humor mais perspicaz, um cabelo mais bem cortado, uma pele mais uniforme, unhas na cor da moda entre tantas coisas diferentes de minha aparência e personalidade.

A verdade, e estou certa que não preciso dizer porque você também sabe (mas vale pela reflexão conjunta!) é que não precisamos de NADA disso. Nada disso é imprescindível, nada disso é primordial e nada disso vai nos fazer mais felizes.

Precisamos uns dos outros, de relações mais verdadeiras e melhores. Precisamos aceitar ao outro como queremos ser aceitos e portanto amá-los como queremos ser amados. 

Creio que a maior vantagem de épocas como o Natal é a possibilidade de pensarmos, refletirmos sobre o que realmente nos é essencial em nossa curta existência nesse planetinha azul e sem dúvida, meus amigos, meus colegas de trabalho, minha família, meu amor, o tio da portaria, as atendentes do shopping, o frentista do posto etc etc etc me são muito mais importantes e essenciais do que meus desejos urgentes e ardentes de ter e parecer o que não tenho e não sou!

Que em 2012 possamos estar mais próximos de nosso próximo e sermos bons uns com os outros!

Obrigada por lerem!





domingo, 6 de novembro de 2011

Banheiro (em) público

Um misto de dor, de nojo, de revolta e de pura piedade passou por meu ser neste fim de semana.

Primeiramente, no sábado, fui surpreendida por uma moça dormindo no chão atrás dos muros da cava do bosque em plena luz do dia. Não obstante meu interesse no que leva uma pessoa a deitar-se para dormir na calçada, cada um dorme onde quer, no entanto, uma pulguinha continuou a incomodar-me por detrás de minha orelha sobre quais os motivos que levam a tomar a decisão dormir de dia, na rua.

Logo pela noite, voltando para casa com meu amado pela madrugada, vislumbrei um porcão a fazer xixi em uma árvore perto de minha casa. Sempre me surpreendo virando o rosto quando me deparo com cena infelizmente comum em nosso país, mas seria realmente eu que deveria ter vergonha??? Por que será que somos tão incivilizados a ponto de acreditarmos que a rua é mais nossa do dos outros cidadãos para simplesmente sacarmos nossa pistola e mandarmos ver em nossas cidades, bairros, ruas, árvores e muros??? Eu sinceramente não devia sentir vergonha, mas sinto: vergonha alheia, vergonha por ser um ser de corpo e mente igual ao do outro que transpõe espaços e regras para mim intransponíveis.

Mas ainda tem pior, se é que é possível. No dia seguinte, ao passar novamente pelos muros da cava, verifico que a caminha feita de tecidos e papéis está lá, mas a moça não. Minha surpresa e indignação se dá ao ver uma outra moça, de corpo muito mais avantajado, logo ao lado da caminha, de cócoras, como que a ponto de parir um filho, mas parindo algo bem mais fétido que vocês certamente já imaginam o quê!
Sim, é isso mesmo! 
Na frente dos lares, detrás do bosque, ao lado da caminha da colega de pouca sorte ou muita imaginação, a moçoila transformou nossas ruas em banheiro público, sem dó, nem piedade e sem um pingo de vergonha à luz do dia!

O quão longe estamos do início de nossa civilização?
Qual a diferença entre Ribeirão Preto de hoje e da Paris medieval?

Não sei.... não sei.... nem tenho palavras, tenho vergonha.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não, você não pode falar o quer quer! Ou será que pode?


Acerca de toda polêmica em torno do apresentador e comediante Rafinha Bastos em razão de seu comentário sobre a cantora Wanessa Camargo http://www.youtube.com/watch?v=_iRScEQU9p0, meu senso filosófico vem refletir sobre o que podemos ou não podemos falar.

Inicio discutindo sobre a premissa do devemos ou não, pois poder, é certo que podemos, nos foi dado o direito e tudo que não sai pela boca, fica na cabeça, oficina de coisas que nem o pobre do diabo poderia supor!

Rafinha respondeu que "faz piadas de mal gosto sim, pois é livre e a constituição lhe deu esse direito", ainda, segundo ele, "cabe à cada cidadão concordar ou discordar de suas opiniões" dentro também da liberdade que nos "é oferecida", aí não mais obrigatoriamente pelo estado, mas pelos conceitos que desde muito cedo são formadores de nosso caráter vindos de nossos pais e de todo ambiente externo que nos circunda.

Liberdade temos, raciocínio temos, mas diante de tantas possibilidades, o que fazer com eles?

Devemos sair despejando nossas opiniões, conceitos, piadas (...Sim, minha amiga, contar piada exige profundas técnicas. Poucos têm o dom. Poucos percebem o tom certo. O momento exato, o local adequado para a piada. O bom contador de piadas é um artista. Fico fã, fascinado... http://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/os_contadores_de_piada.htm) sobre tudo e todos? E o direito do outro de não querer saber ou ouvir que não é assegurado pelo estado e sim por seus ouvidos e pela sorte (ou azar) de estar no lugar errado na hora errada (ou no canal errado no programa errado)?

Minha medida sempre foi a de não ultrapassar a medida alheia e acho que mais do que tudo, isso caracteriza a boa educação.

Será que a questão então é essa, educação?

Bem, senhores, falemos ou não falemos o que queremos a verdade é que na mesma medida em que somos livres para tal, somos responsáveis pelo que proferimos. Pode não parecer muito, mas no caso de nosso amigo Rafinha, seu ímpeto foi "castigado" com sua suspensão na emissora e agora por seu pedido de demissão da mesma.

Rafinha, dantes por cima da carne seca vai ter que se contentar em comer por enquanto carne não *kosher e putrefeita! (cale te boca, garota!!!)


*Produtos Kosher ou alimentos kosher, são todos aqueles que obedecem à lei judaica.A carne bovina judaica passa por um processo de retirada do sangue onde as peças (quartos dianteiros) são imergidas em água gelada e depois ela é salgada com sal grosso e após isso e imergida novamente em água gelada para retirar totalmente o excesso e sangue.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Esmaltes coloridos


Sou facilmente hipnotizada por cores. Amo o preto, amo o branco, mas qualquer cor mais vibrante me ganha muito mais facilmente.

No entanto sempre fui uma garota tímida. Tímida e insegura comigo mesma.

O que uma coisa tem a ver com a outra?

Me lembro de ter uns cinco anos e estar na beira de uma piscina no Iate clube de Itanhaém (não, eu não tenho um iate!), olhar para meus pés e pensar, putz, meu pé é muito feio, e pensar em escondê-lo, em um clube, por achar que todo mundo lá estava reparando no pé que eu achava feio.
Daí por diante sismei e pronto a ponto, de na adolescência, não usar de maneira alguma sandálias. Eu havia encafifado que jamais sujeitaria as pessoas a olhar para meus pés horrendos e que portanto NUNCA iria usar sandálias na minha vida.
Depois dos vinte anos comecei bem aos poucos a deixar meus dedos do pé de fora, mas foi quando conheci meu amado namorado que passeii a olhar para meus pés, e posso dizer que para mim mesma, de uma forma diferente.
Quando comecei a fazer as unhas não podia nem pensar em passar esmaltes coloridos, porque a insegurança era tanta que tinha medo de chamar atenção para o que comprovadamente só eu acreditava ser feio.

Ahhh, mas o bom da vida é que a gente pode mudar e as cores, que se misturam e mudam, formando novas cores ou voltando a ser primárias, me ajudaram a mudar. Como poderia eu viver uma vida inteiramente "*renda"????

Não pude!

Nessa fase abençoada de esmaltes coloridos, fui aos poucos experimentando cada uma dessas cores vivas que me inebriam. Comecei com os vermelhos, depois pinkes opacos, vibrantes, gritantes de todos os tipos e daí vieram os alaranjados, verdes, azuis e até os darks, e o ponto máximo de minha evolução foi quando me permiti o 'impermicível'... contra todas e todos os meus pensamentos de baixo-estima e insegurança mandei um colorido nos pés!!!!!!

Amo as cores, as cores me inebriam...

Esta semana recebi uma cartinha de uma aluna minha de oito anos que dizia: Teacher, você é melhor professora do mundo. Você é legal, muito engraçada, um pouco brava e muito muito colorida, adoro aprender English com você".

Eu sou colorida, cara!!! Quer elogio maior?????

Cabem ainda algumas reflexões: 1 - "prefiro ser uma metamorfose ambulante" do que não me dar a chance, nesta vida que pode ser única, de experimentar. 2 - Já diria mamã, quem não gostar que não olhe!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ponto de vista: ponto cego

Dia!

Tá enxergando bem hoje ou está cego por seu ponto de vista? Porque o ponto de vista, aquele pelo qual lutamos por e defendemos com unhas e dentes é certo que é cego!

É exatamente como quando olhamos para aquele exato ponto no espelho retrovisor do carro e não enxergamos um outro veículo vindo e é por uma fração de segundos que não provocamos um belo de um acidente.

As diversas situações as quais somos expostos em nossas vidas são exatamente desta forma, com a diferença de que realmente chegamos a bater, e de frente, com nossos próximos para que tenhamos razão e nosso ponto de vista "prevaleça".

Quanto vale a pena?

Refletir, repensar, colocar-se no lugar do outro é deveras importante e talvez como diria Raul, ser uma "metamorfose ambulante", no final, seja uma solução menos dolorosa... mas.... realmente não sei....
Estou cega por meu ponto de vista!!!!!!!!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Metrô

Tive a oportunidade de há poucos dias visitar minha cidade natal de uma maneira meio que 'relâmpaga', mas do tamanho exato para alimentar minha imaginação e claro, minha nostalgia.
Em menos de vinte e quatro horas fui e voltei, mas a meia hora que passei sobre os trilhos do metrô de Sampa foram suficientes para que as boas lembranças pudessem voltar.
Percebi que os trens estão mais modernos e que agora eles têm várias televisõeszinhas por vagão. O engraçado é que os motoristas ainda cantam a próxima estação e com ou sem modernidade, ainda é praticamente impossível de se entender o que eles falam (rs), portanto, fique atento ao mapa!
As portas também estão diferentes. Não há mais aquele borrachão em que eu, minha irmã com sete anos na época e tantos outros manos andávamos com as mão enfiadas, com os dedinhos pra fora um tanto quanto irresponsavelmente.
Não há mais também, claro que há algum tempo mas só agora pude constatar, os detentos do Carandiru porque não existe mais Carandiru, a estação sim, mas não a prisão e tampouco os detentos que ficavam com os braços e pernas pra fora das janelas gradeadas em quadradinhos. Todo dia, na mesma hora, eu e minha irmã acenávamos para eles e eles nos acenavam de volta.
Ah a linha um... Pra quem não sabe, a linha um é a que agora leva do Tucuruvi (meu bairro) ao Jabaquara... esses trens viram tantas de minhas mudanças...
Ela me viu com onze anos, pré adolescente, apaixonada por mil garotos, de mexa loira nos cabelos e batom vermelho, levando minha irmã pentelha e hoje tão saudosa, todos os dias em meio à poluição e aos travestis e cortiços da estação Armênia...
Ela me viu bicho-grilo, de boné, de calça de moletom cortada, louca para ser livre, descobrindo a poesia, buscando meu futuro, indo todos os dias pro meu cursinho na estação São Joaquim.
Ela me viu agora, mãe de um garoto de doze anos que não saberia andar sozinho de metrô, dona de minha vida, de meus interesses e de tantos interesses diferentes daqueles de quando eu dizia tchauzinho pros detentos, ou mesmo entrava no trem com um saquinho de salgadinho Piraquê! De cabelos curtos, atrás de meu visto para os States em uma ida ansiosa e uma volta feliz da vida com ele a caminho, orgulhosa de mais uma conquista.
Sempre foi assim, sempre é assim...
Nem sempre quem vai sobre os trilhos, é a mesma que volta.
Ah... o metrô e as linhas de nossas vidas...

domingo, 12 de junho de 2011

A mulher que virou pedra

'Como uma semente de flor a mulher foi posta no solo desse planeta por seus pais e floresceu em um jardim sujeito às forças da natureza assim como todos os jardins. Seus pais, jardineiros prestimosos, por já haverem perdido outras flores para o tempo, cuidaram da mulher com todo o zelo e dispuseram de toda proteção que existia. O jardim era lindo, cheio de pássaros e abelhas, o sol era amigo e a chuva refrescante, mas certas épocas, tudo mudava e esse foi o motivo pelo qual seus pais resolveram colocá-la em uma arredoma de vidro.

A mulher casou e teve filhos, mas um dos jardineiros morreu. A proteção que lhe era dada já não era a mesma e a mulher começou a ser exposta ao sol, ao vento e aos caprichos do tempo. A jardineira que restara, percebendo que tanta proteção havia feito ao invés de bem, mal à mulher, tentou ainda ajudá-la a lidar com as forças da natureza, mas era tarde demais e logo depois, a jardineira também morreu.

A flor agora estava totalmente exposta às forças do vento, da chuva, da seca, das noites frias; a mulher se separou, atrasou as contas, ficou só e teve lidar sozinha com seus filhos, com a busca pelo amor, com o sustento da família, com a vida, com o tempo.

Sem ter aprendido a lidar com cada uma dessas coisas pelo excesso de zelo de seus pais, a mulher foi ficando cada vez com mais medo e se escondeu o máximo que pode da chuva e do frio em um canto escuro e aparentemente protegido.

A mulher não saía de lá pra nada e mesmo assim foi encontrada por uma tempestade que a deixou ainda mais amedrontada e a fez esconder-se ainda mais na sombra escura, onde nem as água da chuva pudessem banhá-la mais.

De tanto medo a flor não mais saía do escuro e sua raízes foram se aprofundando no solo. Não mais sorria a flor com as vinda dos pássaros, porque eles não gostavam se sua cor escurecida pela sombra. Nem sequer se alimentava direito a flor, se contentava com o insumo escuro que conseguia nas sombras. Não mais se mexia a flor, mexer-se poderia chamar a atenção do desconhecido e o desconhecido a matava de medo.

O pó começou a cobrí-la, o musgo começou a brotar em si. O que restava de seu próprio jardim foi totalmente esquecido, sua aparência fora totalmente esquecida.

Totalmente engessada no medo da dor, ela pouco a pouco, dia-a-dia, passo-a-passo foi parando, parando, parando... até que parou de vez, a mulher, antes flor, virou pedra.'

É isso, amigos. Cada passo que damos ou não para a entrega para o tempo ou para a liberdade, é todo de nossa e somente nossa total responsabilidade.